23 junho, 2016

Uma vida sem Facebook, parte II

Vejo mortos-vivos com os olhos fixados em telas pequenas.
Monossilábicos,
com os dedos no controle,
parecem ter o mundo nas mão.
Quanta ilusão.!!!
Que um dia eu vivi intensamente!
(E que se não me vigiar posso voltar a viver)

Nas conversas,
meras reproduções das infinitas publicações.
Que me interessam menos,
                                         menos
                                                  e menos.

- Você viu aquele vídeo da violência explícita circulando hoje no Facebook?
- Não!

- Você viu os comentários do discurso do senador tal?
- Não!

- Você viu as fotos da fulana???
- Não!

- Você que o status de sicrano mudou?
- Não!

- Você viu quanta gente curtiu a foto tal?
- Não!

Fico pensando em devolver as perguntas e indagar se viram as coisas que eu vi...
Mas o que eu vejo não está no Facebook.
Então, deixa pra lá.

Às vezes é solitário não fazer mais parte desse movimento.

Por anos fui refém da vaidade de me mostrar e do orgulho de ser curtida.
Fui refém da necessidade de ter opinião sobre todas as coisas
e de julgar tantos outros por suas opiniões
Refém da necessidade de me comunicar constantemente.

Defendi com veemência - por anos -  todas as vantagens de ter uma conta na grande rede azul,
e hoje penso o quanto perdemos da vida quando estamos conectados a essa grande armadilha.

- Tem vantagens?
- Acredito em algumas.

Falaremos delas em outro momento.


11 junho, 2016

Monólogo III

- Não, você não perguntou. Não perguntou como estou. Não perguntou sobre meus sentimentos. Não perguntou sobre minhas emoções. Não perguntou sobre meus desejos. Nem mesmo sobre meu trabalho ou sobre meu filho. Sobre meu coração, meu namorado. Não! Você não me disse que pensou em mim, não me disse que sentiu saudades, muito menos que sente minha falta. Não disse nada que me fizesse sentir especial. Você só chegou e falou. falou por horas. Respondeu minha única pergunta e foi falando. Falou da sua mãe, do seu trabalho, dos seus problemas. Falou da sua posição política, da série de TV que gosta. Falou daquelas suas amigas que fazem coisas esquisitas. Até rimos. Mas dai você se despediu, rapidamente, entre uma palavra e outra,  bem no momento que eu ia começar a falar de mim. 

03 junho, 2016

Quem quer?

Eu quero ser amada.
   Tu queres ser amada.
       Ela quer ser amada.
          Ele quer ser amado.
              Nós queremos ser amados.
                 Vós quereis ser amados.
                     Elas querem ser amadas.
                         Eles querem ser amados.

Mas...

Quem quer amar?