24 maio, 2016

O que espera de mim, menina?*

Depois do ato de amor o sono fugiu.
Ele dormiu.
Vou a estante.

Encontrei Verlaine.
Mas não entendia os sentimentos naquelas palavras.
Voltei a estante...
peguei Cecília Meireles
E encontrei o amor na forma que eu queria dizer e diria, se assim pudesse!
Talvez por isso eu a entenda melhor que Verlaine.
E não é que ela escreveu um poema pra ele... !

Trago-te a flor contra o pecado
e contra o sofrimento.
Com seus perfumes te engrinaldo,
entre fitas de vento


A leitura (ou seria os poemas) me deixou inquieta
Saio do quarto e vou ao computador
Necessidade de escrever.
Sobre ontem, sobre sentimentos, sobre palavras...
Mas ainda não sei o que dizer
O papo de ontem sobre aquele rapaz trouxe a tona um pensamento freqüente:
Ele!

A lembrança das danças, da música ouvida e cantada, do amanhecer na praia, das promessas, dos risos...
Tudo acabou.
Eu falei das coisas ruins e as boas
ficaram aqui
Martelando Martelando Martelando....

Daí o sentimento de culpa vem também
Por que eu não desejo mais pensar nele
Meu amor está na cama dormindo.

Por que ainda bate tão forte essas lembranças?
Por que ainda guardo tanta mágoa?
Por que há tanto desejo de vingança??
E por que ele ainda está aqui, em pensamento?

Ah!
Queria vê-lo sentir-se só!
Queria vê-lo chorar de dor!
Queria vê-lo pedir perdão!!
Queria vê-lo passar pelo que eu passei.

Isso tudo é bobagem, eu sei
Coisas de menina boba e rancorosa
Mas você sabe que razão e emoção caminham por trilhas diferentes e opostas
Não desejo isso de coração!
Tanta contradição.

Ontem, enquanto você falava nele eu te admirava
mas também te odiava!
Não queria ouvir que você viveu momentos tão semelhantes aos meus!!!

- O que espera de mim, menina? Por que me contou tantos detalhes?

Talvez ele seja o elo que nos tornará amigas
Ou o que não nos deixará sermos!

Acabo de acender o cigarro que não deveria
Estou mais leve e quieta
E já sinto vontade de ir dormir

*Escrito em Março de 2007