06 dezembro, 2016

Faz diferença

Que a maternidade não se resuma em fazer as coisas para os filhos.
                    - e sim, fazer com eles!

22 novembro, 2016

Tristeza*

Hoje me sinto triste
Muito
Dói
Aquela tristeza que fere a língua com palavras ariscas
Do tipo que torna a pessoa orgulhosa e vingativa - Na defensiva
Uma tristeza cruel
Sádica
Que no fundo não percebe que essa dor é reflexo do vazio
Que desassossega a alma entre o passado e o futuro
Entre o pensamento e a fala
Entre um piscar e outro
Caetano adora aquela música de Vinicius 
“é melhor ser alegre que ser triste...”
Mas, Caetano...
A alegria nos torna tão insensíveis
Tristeza não!
Dor que aguça todos nossos sentidos
Nos faz perceber a emoção do olhar
A presença e a ausência
A intenção


*Em Novembro/2010


07 setembro, 2016

Intuição

Sempre fui convicta sobre meu poder de intuir.
Sinto a emoção futura que virá e antecipo cenas que verei.
Não é fácil!
Porque dói o corpo e a mente se inquieta ansiosa para comprovar sua faculdade de perceber, discernir e pressentir as coisas,
independentemente de raciocínio ou de análise.
Eu sei, vai acontecer.
E diante da urgência em evitar o fato, eu me antecipo em mostrar o poder (como uma vantagem)
Causando desconfortos e mentiras de quem nem sequer sabe o que irá exatamente fazer.

Se eu grito a intuição,
Enlouqueço!
Se eu silencio a intuição,
Adoeço!

Qual o caminho então?
Meditação?
Qual a razão de uma intuição?
Proteção?
Que tipo de poder é esse que causa tanta inquietação?

Quanta pressão!!!

06 setembro, 2016

Das coisas que eu preciso

Das coisas que preciso:
urgentes,
necessárias,
ou vitais.
Não posso exigir do outro, aos gritos!
Nem esperar, em silêncio.

Urgentes, necessárias e vitais
São as coisas que eu preciso dar para mim
Sem esperar (aos gritos ou em silencio) que me deem.

Dos outros, preciso deixar que sejam o que são
que deem o que querem dar.

De mim, espero apenas a decisão consciente de aceitar ou rejeitar:
é de fato o que eu preciso?
é de fato urgente, necessário e vital?

E fazer, sair, lutar e conquistar...
as coisas que eu preciso!

Sem gritos e sem silêncio!
No verbo.
com ternura
respeito
e motivação.


30 agosto, 2016

Deméter

Deméter, Deusa mãe
Daí-me o poder da doação!
Que eu possa oferecer antes de pedir.
Que eu possa entender uma dor que não seja minha.
Que eu possa oferecer um copo d’água a quem chega cansado,
mesmo que me tire de um sono.
Que eu possa oferecer meu colo a quem não pediu,
mas, que mostrou com o olhar sua dor
Ó Demeter, Deusa mãe!
Faz-me agir com mais carinho.
Ajuda-me a tratar com mais cuidado aqueles que vejo tão ressecado de amor.
Faz-me amor!

Para que assim eu possa perdoar - quem como eu  - se impõe o orgulho e a vaidade - mostra cara de coragem e esconde a dor.

Escrito em 2010.

29 agosto, 2016

Lilás

Gosto de pintar as unhas.
Ir ao salão, colocar pés e mãos na água e ver o processo de 'lapidação": Escarna, limpa, corta, serra, esfolia e pinta.  Sempre saio satisfeita. Sem o peso nos pés e com a sensação de que beleza é tudo que se assemelha a pintura de meus dedos. Sinto-me feminina, e dependendo da cor: meiga, poderosa, discreta, sexy, sem noção...
Enfim, hoje foi um dia que saí cedo para fazer as unhas.
Acordei entre o sim, o não e o talvez. E precisava decidir:
- Vou? Não vou? E se...?
Fazer as unhas ajudaria a solucionar a questão. E entre tantas cores escolhi o lilás.
Sim, precisava ser discreta.

Se eu decidisse ir, precisava ir assim...  Lilás bem clarinho.

Escrito em 2010.

28 agosto, 2016

Filme: August: Osage County ou Album de Família


Quando as pessoas decidem culpar os outros por suas infelicidades e carregar sobre os ombros o lixo acumulado de suas ações destrutivas tornam-se tão cruéis e amargas que nem um tipo de amor é capaz de recuperar a beleza que um dia essas pessoas tiveram.

A sorte de assistir um filme desses sozinha é poder chorar como uma criança diante a dor dos outros representadas pela brilhante atuação de Meryl Streep e Julia Roberts.

Se eu não tivesse que focar na tese agora escreveria uma longa resenha sobre esse filme porque definitivamente vale a pena. #SuperIndico

09 agosto, 2016

Acreditar é ter fé

Nos recentes mergulhos no oceano do inconsciente descobri que não acreditava de fato que existiria algum único homem honesto, leal e fiel à mim. Não porque que não merecesse, ou não desejasse. Mas porque internalizei as crenças do inconsciente coletivo brasileiro:
- Homem não é fiel!
- Homem é traiçoeiro!
- Homem é mentiroso!
- Homem é tudo igual!

Que cruel! Crenças que destroem infinitas possibilidades de entrega ao relacionamento a dois.
Que difícil uma vida sustentada na desconfiança e no medo do outro, da dor, do chifre!!!
Que difícil equilibrar uma relação com um homem quando se parte de uma lógica tão cruel que o insere em grupos tão insólitos da humanidade. Julgados e condenados antes de qualquer prova real. Nasceram homens, por isso infiéis às mulheres! Que cruel!
Cruel para nós mulheres, e sobretudo, para estes homens que nascem dentro de um modelo.

Agora percebo o quanto eu vivia atormentada com essas vozes dentro da minha cabeça.

Crenças, crenças, crenças. Do tipo que nos aprisionam em enredos dramáticos. Do tipo que nos faz gastar muita energia para o controle do outro, das outras e de nós mesmas, que nos enganamos que esse controle é segurança!

Cansa! E eu cansei!

Declino do poder de controle sobre o tempo e o espaço do outro. 
Quando alguém assume um relacionamento a dois é porque quer um relacionamento a dois. Pronto.

Vou acreditar na honestidade, lealdade e fidelidade dos homens, assim como acredito na das mulheres. E qualquer coisa que escape a isso é um erro de caráter, e não de gênero.

Acreditar no outro é uma questão de fé. Fé em si mesma e na capacidade de se recriar para ser feliz.

25 julho, 2016

Fortaleza

Caminhando pela cidade de Fortaleza
Surpreendo-me com o que vejo.

Coisas feias me assustam.
E as erradas também.

O desafio é me aproximar e conhecer.

Pois a justiça é cega
e a beleza é relativa.


23 julho, 2016

Relações tranquilas

Decida se você quer receber do seu par
 demonstrações de ciúmes,
                          ou manifestações de amor!!!

Uma coisa exclui a outra, mutuamente.
e o amor, é infinitamente melhor.





21 julho, 2016

Prometo

- Prometo não me imiscuir entre o outro e suas próprias decisões
                        (só quando - e se - solicitada)

- Prometo não reputar o outro e suas atitudes.
                       (nem quando - nem se - solicitada)



10 julho, 2016

Pontes

Olho para fora....
E vejo tantas motivações para viver.
Lugares para conhecer.
Trabalhos a fazer.
Atividades para realizar.
Conhecimentos a apreender.
Encontros para organizar.
Lares para construir.

Caminho....

Olho para dentro....
E vejo os sentidos para viver.
A mulher que quero ser.
As pessoas que quero amar.
Os filhos que quero educar.
O ego que quero destituir de poder.
A essência divina que quero iluminar.

Caminho...
Construindo as pontes que diminuirão os abismos entre o fora e o dentro.



03 julho, 2016

Quem fala muito, escuta pouco

Observo aquela mulher agonizando
entre uma vida honesta -  desejante
e uma vida que ela conta - com tantas mentiras
que ela não vê, nem percebe, nem sente.

Mas fala fala fala fala fala fala fala fala
sem parar!

Seus olhos ausentes do brilho da juventude
seu corpo esbelto sem vitalidade
suas atitudes sem a sabedora da maturidade de sua idade
E uma boca em contante movimento,
agressiva!

Fala fala fala fala fala fala fala fala
sem parar!

Observo aquela mulher
como quem olha pra si mesma em um passado recente.
Com a certeza que valeu a pena o mergulho nas profundezas do inconsciente
com  dor e desassossego
no processo de auto-conhecimento
e do silêncio.

Aquela mulher que fala fala fala fala
Tem pouco tempo de sentir,
observar
e principalmente, ouvir.

Assim padece.


23 junho, 2016

Uma vida sem Facebook, parte II

Vejo mortos-vivos com os olhos fixados em telas pequenas.
Monossilábicos,
com os dedos no controle,
parecem ter o mundo nas mão.
Quanta ilusão.!!!
Que um dia eu vivi intensamente!
(E que se não me vigiar posso voltar a viver)

Nas conversas,
meras reproduções das infinitas publicações.
Que me interessam menos,
                                         menos
                                                  e menos.

- Você viu aquele vídeo da violência explícita circulando hoje no Facebook?
- Não!

- Você viu os comentários do discurso do senador tal?
- Não!

- Você viu as fotos da fulana???
- Não!

- Você que o status de sicrano mudou?
- Não!

- Você viu quanta gente curtiu a foto tal?
- Não!

Fico pensando em devolver as perguntas e indagar se viram as coisas que eu vi...
Mas o que eu vejo não está no Facebook.
Então, deixa pra lá.

Às vezes é solitário não fazer mais parte desse movimento.

Por anos fui refém da vaidade de me mostrar e do orgulho de ser curtida.
Fui refém da necessidade de ter opinião sobre todas as coisas
e de julgar tantos outros por suas opiniões
Refém da necessidade de me comunicar constantemente.

Defendi com veemência - por anos -  todas as vantagens de ter uma conta na grande rede azul,
e hoje penso o quanto perdemos da vida quando estamos conectados a essa grande armadilha.

- Tem vantagens?
- Acredito em algumas.

Falaremos delas em outro momento.


11 junho, 2016

Monólogo III

- Não, você não perguntou. Não perguntou como estou. Não perguntou sobre meus sentimentos. Não perguntou sobre minhas emoções. Não perguntou sobre meus desejos. Nem mesmo sobre meu trabalho ou sobre meu filho. Sobre meu coração, meu namorado. Não! Você não me disse que pensou em mim, não me disse que sentiu saudades, muito menos que sente minha falta. Não disse nada que me fizesse sentir especial. Você só chegou e falou. falou por horas. Respondeu minha única pergunta e foi falando. Falou da sua mãe, do seu trabalho, dos seus problemas. Falou da sua posição política, da série de TV que gosta. Falou daquelas suas amigas que fazem coisas esquisitas. Até rimos. Mas dai você se despediu, rapidamente, entre uma palavra e outra,  bem no momento que eu ia começar a falar de mim. 

03 junho, 2016

Quem quer?

Eu quero ser amada.
   Tu queres ser amada.
       Ela quer ser amada.
          Ele quer ser amado.
              Nós queremos ser amados.
                 Vós quereis ser amados.
                     Elas querem ser amadas.
                         Eles querem ser amados.

Mas...

Quem quer amar?        

26 maio, 2016

Votos

Sim. Eu aceito o brilho dos teus olhos, a alegria do teu sorriso. Aceito tuas lágrimas de tristeza e dor. Aceito tua liberdade de ir e vir. Aceito tua sedução. Aceito o poder que exerce. Aceito o teu esforço e tuas conquistas. Aceito tua solidão. Aceito tuas fragilidades. Aceito tua coragem! Aceito tuas longas horas de trabalho. Aceito teu silêncio e teus gritos. Aceito tua desorganização. Aceito tua sabedoria.

MAS...

Não. Não aceito tua vaidade. Não aceito tua luxúria. Não aceito teu orgulho. Não aceito as mentiras que construiu como muralhas de proteção. Não aceito teu egocentrismo, muito menos  teu egoísmo. Não aceito tua arrogância e prepotência. Não aceito os cumprimentos formais. Não aceito os gestos (nem os verbos) tão frios. Não aceito a ignorância disfarçada de verdade.

24 maio, 2016

"Amar e mudar as coisas me interessam mais"

Assusta-me saber que vou morrer.
      Contudo, a ideia de viver uma vida miserável, egoísta e inconsciente me assusta mais.

Assusta-me ouvir pessoas dizer que nunca mudarão.
     - assinando a própria ignorância como algo irremediável.

Afirmações egóicas
Do orgulhoso
Do vaidoso
Do preguiçoso
Da cobiça

É preciso coragem e silêncio para viver a essência
Da generosidade
Da paciência
Da compaixão
Do amor

O que espera de mim, menina?*

Depois do ato de amor o sono fugiu.
Ele dormiu.
Vou a estante.

Encontrei Verlaine.
Mas não entendia os sentimentos naquelas palavras.
Voltei a estante...
peguei Cecília Meireles
E encontrei o amor na forma que eu queria dizer e diria, se assim pudesse!
Talvez por isso eu a entenda melhor que Verlaine.
E não é que ela escreveu um poema pra ele... !

Trago-te a flor contra o pecado
e contra o sofrimento.
Com seus perfumes te engrinaldo,
entre fitas de vento


A leitura (ou seria os poemas) me deixou inquieta
Saio do quarto e vou ao computador
Necessidade de escrever.
Sobre ontem, sobre sentimentos, sobre palavras...
Mas ainda não sei o que dizer
O papo de ontem sobre aquele rapaz trouxe a tona um pensamento freqüente:
Ele!

A lembrança das danças, da música ouvida e cantada, do amanhecer na praia, das promessas, dos risos...
Tudo acabou.
Eu falei das coisas ruins e as boas
ficaram aqui
Martelando Martelando Martelando....

Daí o sentimento de culpa vem também
Por que eu não desejo mais pensar nele
Meu amor está na cama dormindo.

Por que ainda bate tão forte essas lembranças?
Por que ainda guardo tanta mágoa?
Por que há tanto desejo de vingança??
E por que ele ainda está aqui, em pensamento?

Ah!
Queria vê-lo sentir-se só!
Queria vê-lo chorar de dor!
Queria vê-lo pedir perdão!!
Queria vê-lo passar pelo que eu passei.

Isso tudo é bobagem, eu sei
Coisas de menina boba e rancorosa
Mas você sabe que razão e emoção caminham por trilhas diferentes e opostas
Não desejo isso de coração!
Tanta contradição.

Ontem, enquanto você falava nele eu te admirava
mas também te odiava!
Não queria ouvir que você viveu momentos tão semelhantes aos meus!!!

- O que espera de mim, menina? Por que me contou tantos detalhes?

Talvez ele seja o elo que nos tornará amigas
Ou o que não nos deixará sermos!

Acabo de acender o cigarro que não deveria
Estou mais leve e quieta
E já sinto vontade de ir dormir

*Escrito em Março de 2007

17 maio, 2016

Propósitos

Qual a intenção do teu olhar?
e de tua fala?
e dos teus gestos?

Com que intenção pergunta sobre o outro?
Como vai teu pai,
tua mãe,
teus amigos?

Qual a intenção do teu trabalho?
de acordar cedo?
de sair tarde?

Com que intenção acumula os livros?
e o dinheiro?
e os amigos no Facebook?

Qual a intenção da vela acesa?
do terço rezado?
da meditação em silêncio?

Acumula homens e mulheres?
Com que intenção?

Qual a intenção de teus passos?
Qual teu proposito nesta vida?
Qual o plano?
Qual a intensidade da tua intenção?

13 maio, 2016

O sabedor

Ver aquele homem
sem propósito
cheio de pose de sabedor
com a aquela mulher dando-lhe comida na boca e lavando suas roupas
é algo de embrulhar o estômago

Um homem de 30 anos que joga nos brinquedinhos a energia que deveria usar - também - para trabalhar.
Ou para lavar o banheiro
ou varrer a casa onde mora.

Um homem!
com pêlos nas pernas, no peito e na cara
cujos compromissos
giram em torno do próprio umbigo
mas os discursos...
coletivos
ah,
são sempre
 tão bonitos !


Monólogo II

- Vem, diz pra mim que me ama. Prova que sou único. Faz-me sentir que tenho a amante, a mãe e a amiga em uma única mulher. Aquela que fará todos os esforços para me fazer feliz. Vem, seja aquela que apoia o seu grande homem. Prometo prosperar. Te darei um nome, um lar, filhos para você cuidar. Deixa de crise. Deita na cama. Vamos fazer amor. Amanha te levo para jantar. Faz-me sorrir e gozar. Sim, grita de prazer. Faz-me sentir viril, homem macho. Não, não faz essa expressão triste. Você não tem motivos. Alegre-se, vamos ver um filme. Diz que me ama. Preciso saber, ter certeza. Se eu tenho seu amor, sou capaz de amar você incondicionalmente.

O mentiroso

- Por que mente, ó Homem?
Por que se refuta a responder perguntas tão simples?
O que o amedronta?
O que há dentro de ti que precisa esconder?

- Mostra-se!
Revela-se para mim
mais real, próximo, quente e sensível.
Construa pontes entre os abismos - de gênero

- Por que continua a mentir, ó Homem?
O que há de tão ofensivo nas perguntas femininas?

- Diz-me!
Não certos ou errados
Olha para dentro de você, veja
Observe as mentiras que diz com tanta verdade
Por que? Por que? Por que?

- Saia desse pedestal intocável
Dialoga!
Expressa-se na relação comigo,
uma Mulher.

12 maio, 2016

Erros

Sou capaz de perdoar erros,
todas as traições,
infidelidades,
mentiras.
Perdoo e entendo
os meus erros e os demais.

Não é um processo fácil, mas sou capaz
Graças ao tempo.

(Só não posso me violentar seguindo ao teu lado,
com medo.)

Confiar novamente,
amigos, amores, fantasmas...
é algo que ainda não consigo!
Quero.
Requer inocência, ingenuidade,
o que por hora é difícil.

Como admirar depois de erros tão nocivos?

(Só posso acreditar em mim, e na minha capacidade de renascer.)
Florescer.
Novo jardim.

Segue teu caminho,
vai!
Olha para trás e me dá adeus!
Vou acenar
Vou te olhar, te ver partir
sem julgamentos...

Vai, se despeça
leva contigo um beijo.
só não siga mais ao meu lado,
por favor
Será um grande tormento.

10 maio, 2016

Monólogo

- Olá! Entre! Fique a vontade, Se quiser, faça suas perguntas. Se desejar, mostre seus interesses. De forma honesta, claro. Sejam eles carnais, espirituais. Honestidade me agrada. Palavras e posturas que correspondem a energia do corpo e do olhar. Isso! Mostra-se. Deixa eu ver o que existe mesmo dentro de você. Que linda é a complexidade humana, não? Chega de muros e máscaras. Pontes para a intimidade. Gosto disso.

05 maio, 2016

Amar é...

despir-se da vaidade de olhar a própria imagem,
é anular o orgulho exacerbado das conquistas individuais
é desapegar-se do ego-centrismo!

01 maio, 2016

Sol

É preciso coragem para morrer - a cada noite
e muita esperança
para renascer ao amanhecer.

30 abril, 2016

Vaidade

Despir-se da vaidade
diante da necessidade dos elogios
Eis um - gigante desafio.

Crenças limitantes

Nos movemos (inconscientemente)
em função de nossas crenças.
- crença no trabalho que dignifica o homem
ou na miséria da exploração opressora.
- crença no deus que ajuda quem cedo madruga
ou que a noite de sono é curta e por isso a vida não é justa.
- crença no amanhã que será um dia melhor,
porque é sábado.

Para uns,
a crença em deus,
no sol,
na lua,
na sorte.

Para outros,
crença no dinheiro,
no sucesso,
no azar,
no destino.

Crenças em si mesmo:
o teimoso
o perfeccionista
o preguiçoso
o verdadeiro isso
eu não aquilo.

Crenças no outro:
o culpado
o egoísta
o invejoso
o traidor
o mentiroso
o corrupto.

E a crença naquele que tem a vida melhor,
mais farta,
mais verde.
mais bonita.

Inconscientemente nos movemos
nutridos por crenças que nos limitam.
Convicções que fundamentam
nossa ignorância
nossa teimosia
intolerância
E arrogância.

Crenças pessimistas
e destruidoras!
Desse tipo,
mudar é preciso.

19 abril, 2016

Lua

Contemplo a lua em todas as suas fases:
nova, crescente, cheia, minguante,
e esforço-me para perceber em seu ciclo, o meu.
menstruação, folicular, ovulatória, lútea.

Com a Terra e o Sol
ela brinca de fazer sombra e luz
enquanto giram...
giram
giram
giram
Numa ciranda mística.

E eu contemplo.
E percebo-me nessa roda:
a alma
a mãe
a mulher
e emoção
a sensibilidade

E na astrologia, ah
é o princípio feminino.
E se mostra e se esconde...

Enquanto eu contemplo,
no meu templo.
o Luar é para mim
alguma forma de oração.

Sobre emoções

Asseadas demais,
polidas demais,
neutras demais.

Sem expressão
sem ação
sem reação.

Pessoas que não se manifestam emocionalmente me assustam.




18 abril, 2016

Amor próprio

Ando a perceber as sensações do corpo,
sem julgá-las.

Ando a observar a mim mesma
de olhos fechados
sentindo as emoções,
a anergia e a vibração.

Ando a abrir os olhos
como a bebê que acabou de nascer
e olhar pela primeira vez
de forma ingênua
(mesmo que já tenha visto antes).

Contemplando o que eu posso ver
e fechando os olhos para não ver
o que eu posso sentir melhor
como se fosse a última vez.

Tem sido uma descoberta incrível:
o amor próprio
e  a beleza do que sou
na saúde e na doença.

Amor próprio sem narcisismo, sem egoísmo, sem egocentrismo.
Amor próprio como o caminho para amar melhor.

09 abril, 2016

Organizando as emoções

Já se vão quatro dias de tristeza.
Com essa emoção eu posso viver!
Mais tranquila que a raiva,
me sinto em paz.

A raiva bombardeava minha mente com tantos pensamentos tóxicos e destruidores...
Explosiva, faz-me sempre sentir uma terrorista.

A tristeza não,
é silenciosa
vem solitária,
não há vozes dentro de minha cabeça me enlouquecendo
não há nada em meus pensamentos,
só o vazio.

07 abril, 2016

O guardador de rebanhos

Meu filho lia o poema, quase inaudível, enquanto esperávamos o trem chegar.
E eu pude sentir cada palavra, sem pensar nos sentidos delas.

Viver é isso!
... sentir sem pensar!


29 março, 2016

Justificativas

Cansei de dar justificativas que ninguém solicitou
explicações
descrições
afirmações
De quem sou ou de quem deixei de ser.

Apenas ser e existir
Dançar conforme as músicas de minhas emoções
conectando-me a cada instante, sem análises.

27 março, 2016

Uma vida sem Facebook, Parte 1

Sinto que deixei de existir para um público
Só eu e quem está comigo sabe das coisas que estou vivendo.
Sem compartilhamentos
Sem curtidas
Sem comentários.

A vida é o que é,
sem registros
sem platéia
sem julgamentos
Sejam eles bons ou não.

As vezes me sinto uma desertora
as vezes me sinto solitária
desconectada do mundo
e muito desatualizada, mesmo que leia os jornais todos os dias

Sinto que deixei de existir do jeito que a maioria dos que conheço existe
E deixei de saber como existem
as modas que seguem
as novelas que assistem
os partidos que apoiam
a notícia que bombou

Mas na maioria das vezes sinto que sou uma uma revolucionária
criando uma outra forma de viver
presente
atenta ao pequenos detalhes
das gentes
dos sons
das cores
dos cheiros
das palavras











09 março, 2016

Preguiça no amor

No início dos relacionamentos há sempre um grande investimento em compreender o ser amado e em mostrar o quanto estamos empenhados em conquistá-lo.

Com o tempo... vem a preguiça.

E essa preguiça é a dona Morte com seu machado.

06 março, 2016

Intimidade

Dizem por aqui que ter intimidade com alguém é tirar a roupa sem vergonha
Usar o banheiro com o outro sem pudor
Evacuar no sanitário enquanto conversa sobre os planos
Escovar os dentes na esma escova.

Acho tudo isso tão fácil

Difícil é remover a roupa da alma
e mostrar a luz divina interior
E o amor
e a sombra do ego que oprime
E o horror
e revelar para o outro as próprias contradições

Mostrar os monstros
Mostrar os sonhos
assumir os erro e os desejos do acerto
olhando nos olhos

Isso é intimidade para mim
Das mais difícil de se trocar.


02 março, 2016

01 março, 2016

13º dia do ciclo menstrual

Como se eu estivesse cheia de gases inflamáveis
saindo por todos os poros
na iminência de explodir
Basta que alguém se aproxime
com qualquer faísca.

21 fevereiro, 2016

Ordem e desordem

Sou verbo,
Sujeito,
E predicado!
Voz passiva e ativa
As vezes sem coerência
Em busca de coesão!

Sou movimento
Ação
as vezes quieta, quase sem reação
Sempre expressiva
tenho a impressão!

Se precisar gritar, vou gritar
Se precisar chorar, vou chorar
Se precisar silenciar, vou silenciar
Se precisar ouvir, vou ouvir
Se precisar decidir, vou decidir
Me reconhecem assim?
Talvez Dona de mim! Talvez não.

Sou intuição
Sou emoção
Sou sentimento
E sou razão!
Nessa ordem
e também desordem!

13 fevereiro, 2016

05:10

05:10. Acordei alguns minutos antes do despertador tocar como de costume e fiquei ali, imóvel, com os olhos bem abertos, buscando dentro da mente recuperar os detalhes do sonho: elefante, ônibus, amor, pai, mãe, filho, praia, golfinhos, armas, tiros, carro, violência. Registrei tudo no caderninho, pesquisei nos sites alguns elementos para me ajudar na interpretação das mensagens do meu inconsciente, alonguei e levantei. Desperta para o novo dia. Orgulhosa com a conquista do hábito adquirido. Houve um tempo que eu dizia: Credo! Acordar cedo é coisa de doido! E aqui estou eu hoje - uma doidinha acordando cedo e feliz! 

05 fevereiro, 2016

03 fevereiro, 2016

Atravessando o deserto

Aqui estou eu
Deserta
Nesta região quase desabitada 
chuvas tão irregulares
clima árido
Um Saara

Atravesso.
vou,
Sei que preciso.

Arrisco-me!
Encontrarei água,
pura,
intuição
sigo!

01 fevereiro, 2016

Um mergulho em mim

Conhecer a mim mesma tem sido o grande desafio de minha vida
Olhar para dentro
Mergulhar!
E quando lá, fechar os olhos e sentir

A respiração
a pulsação
o fluxo sanguíneo
O que muda com cada emoção?
E por quê?

Mergulhar e sentir
O que está vivo? Deixar viver
O que está morto? Deixar morrer

Sair de mim e renascer
Ser melhor
Para mim
E para você!

24 janeiro, 2016

Relacionamentos acabam!

Relacionamentos acabam!
Não porque acabou o amor...
Amor não acaba!
Esgotam-se as capacidades de resolver os conflitos
Ou nos cansamos deles
Ou tornam-se desnecessários
Abusivos
Ou apenas achamos injusto ter que lidar com as coisas desagradáveis.

Relacionamentos acabam!
Porque acabou a felicidade de viver a dois
Cada dia é uma dor sobre ausências
a intimidade que acabou
a carta que não chegou
o fogo que não acendeu
o olho que não brilhou!

Relacionamentos acabam!
E ninguém quer aceitar, insistem no recomeço
Voltas e voltas...
Mentiras para si mesmo
O esforço de se reinventar
Quedas no mesmo lugar!
É preciso aceitar...
Acabam!

16 janeiro, 2016

Filme: Old fashioned

Foi em 2014 que alguém me disse que eu era uma romântica incurável. Eu fiz cara de surpresa, e de fato assim fiquei. Neguei! Sou feminista! (opostos?) Mas desde então tenho me observado intimamente quando estou sozinha e constatado que outras pessoas podem saber mais sobre nós que nós mesmos.

Depois de outro dia produtivo com minha tese, tudo que eu desejei foi ver outro filme bem romântico. Hesitei, já tinha visto um ontem, procurei na minha lista de filmes históricos, políticos, biográficos, ganhadores de Oscar, diretores consagrados. 

Em vão... Iria assistir sozinha em meu quarto. Ninguém iria ver. rsrsrsr Relaxei e fui para a categoria dos corações apaixonados. 

Depois de ler algumas sinopses, Old fashioned foi escolhido pela seguinte frase: "Ambos aprenderão que superar o medo e as feridas do passado pode ser uma tarefa difícil, mas vital na construção de uma relação sólida".

Há uma carga cristã que eu ignorei. Doses machistas que perdoei. E claro, doses racistas como a maioria dos filmes fora do continente africano. Mas foram as cenas de conflito existencial e de envolvimento sensual que acessaram minhas lágrimas.

A pauta que destaco do filme é o quanto deixamos o amor nos modificar para fazer dar certo um relacionamento. O quanto deixamos o amor resignificar as impressões de situações ruins que vivemos no passado. O mais fácil é se esconder atrás das feridas com a ilusão de que estaremos nos protegendo e protegendo o outro. O que se torna em uma punição e uma negação do verbo amar.

Viver um relacionamento à dois pode fazer os dois envolvidos felizes. Bastam que individualemente decidam ser felizes sozinhos.

Registro feito. Agora é dormir.